Carnaval: para 2017, mais folias no bairros e trios sem cordas

O Carnaval acabou e a realidade bateu na porta: agora, só em 2017. Mas a festa do ano que vem começou ontem mesmo – pelo menos, no que diz respeito à organização. E já dá até para ter uma ideia de como vai ser  a folia no ano que vem: mais folia nos bairros, mais trios sem corda, mais espaços como o Beco das Cores e as vilas gastronômicas, além de valorização do circuito Osmar (Campo Grande) e mudanças nos pontos que complicaram o trânsito no entorno da festa.




As novidades foram anunciadas ontem, tanto pela prefeitura, quanto pelo governo do estado, em duas entrevistas coletivas para fazer uma avaliação da folia – no camarote oficial da prefeitura, no Campo Grande, e no Quartel dos Aflitos, respectivamente. “Nós temos uma operação que é referência no Brasil e no mundo. A gente está muito feliz com esses dias de festa, com mais de 200 apresentações sem corda na cidade”, disse o prefeito ACM Neto, durante a apresentação das estatísticas da folia.

De acordo com ele, o Carnaval dos bairros (que, este ano, já aconteceu em 10 localidades) deve aumentar. “Ampliamos o número de bairros e levamos grandes atrações. Essa é uma tendência consolidada independente de quem for o prefeito. O Carnaval dos bairros é uma conquista e vai ser ampliado. Vamos trabalhar para  garantir que não apenas esses (os 10) recebam a festa, como outros bairros também”.
Para o prefeito, um dos destaques da folia nos bairros foi a abertura dos apresentações com atrações para o público infantil. “Isso dá espaço para que as famílias participem do evento”, explicou. Em média, 150 mil pessoas participaram da folia nos bairros por dia. Ao todo, foram mais de 1 milhão de pessoas – um aumento de 10% em relação ao ano passado.O presidente do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar), Pedro Costa, elogiou a escolha dos artistas que se apresentaram fora dos circuitos tradicionais. “A escolha das atrações colocadas nos bairros preencheu as expectativas”, comentou. Entre os nomes estão Margareth Menezes, em Itapuã, Igor Kannário, em Periperi, e BaianaSystem, em Cajazeiras.




Mais dias
O pré-Carnaval, que passou a ter dois dias em 2016, com a criação do Fuzuê, no sábado, dia 30 de janeiro, deve continuar nos mesmos moldes. Em 2015, quando foi instituído, havia somente o Furdunço, no último domingo antes da folia. “A gente consolidou o pré-Carnaval como sábado e domingo, e o Fuzuê foi importante para isso. Não posso dizer ainda que será só o Fuzuê, mas com certeza teremos um pré-Carnaval acústico no sábado”, adiantou o presidente da Saltur,  Isaac Edington, responsável pela organização.

A transferência da abertura oficial da festa de quinta-feira para quarta também foi vista como uma decisão “muito acertada” pelo prefeito e vai continuar. No entanto, o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, demonstrou preocupação quanto ao aumento do número de dias de folia.

“A única coisa que temos que rever é o excesso dos dias de festa. É desgastante para a área de segurança. Vamos tentar estreitar a organização com a prefeitura”, contou.






Força da pipoca
E se em 2016 já foram cerca de 260 atrações desfilando sem corda pelos circuitos, a tendência é que isso cresça ainda mais. Do total deste ano, 197 foram apoiadas pela prefeitura e mais 63 pelo governo.

Ontem, a Bahiatursa informou que já estuda uma maneira de ampliar o número de trios para a pipoca – especialmente no Campo Grande. Segundo o diretor-superintendente da autarquia, Diogo Medrado, a proposta tem objetivo de fortalecer o público no local. “A ideia é aumentar essa proposta de trios elétricos e valorizar o circuito do Campo Grande. Ontem (anteontem), já conversei com a produção de Léo Santana para pegar os dias fracos do Campo Grande para  atrair um público maior”, contou  Medrado. Segundo ele, equipes identificaram horários e dias nos quais a frequência de pessoas é menor. 

Este ano, a Bahiatursa teve nove trios próprios por dia de folia, além do apoio a outros trios sem corda como os de Ivete Sangalo, Bell Marques e Luiz Caldas. Ao todo, foram 87 atrações sem corda em Salvador e em outras 15 cidades. “Esse Carnaval deixou a marca do Carnaval democrático, que deu opção a todos aqueles que não tinham dinheiro para pagar, ao folião pipoca. Ano que vem tem mais”, garantiu o governador Rui Costa, em um vídeo publicado ontem no Facebook.

Espaços como o Beco das Cores, na Rua Dias D’Ávila (o  popular Beco da Off, antiga boate gay), na Barra, podem ser ampliados e levados para outros pontos. “Este ano já virou o Beco e a Rua Marques de Leão das Cores, porque todos os dias estava lotado. Tivemos que deixar a programação, que era até meia-noite, ir até 2h”, citou Edington. No local, DJs tocavam música eletrônica no intervalo entre os trios.



Ajustes
Apesar de considerar a Operação Carnaval um sucesso, o prefeito ACM Neto afirmou que é preciso fazer alguns ajustes para 2017 – especialmente no que diz respeito ao trânsito. “Nós temos um problema sério com relação ao trânsito, que eu já pedi que a Transalvador e a Secretaria da Mobilidade (Semob) comecem a fazer estudos a partir da próxima semana, que é com relação à Avenida Centenário. A pressão a cada ano é maior na avenida, seja por acesso ao circuito Barra-Ondina, seja de saída do circuito”, explicou.

Para Neto, uma das questões que devem ser observadas é o ponto de parada que fica na altura do Calabar. Ele congestiona o trânsito, principalmente na saída dos foliões. “As pessoas tomam a rua e diminuem o fluxo dos veículos. Esse é um assunto que será trabalhado desde agora, para ter uma operação mais exitosa”, avisou.

Por outro lado, Neto elogiou o funcionamento do Expresso Carnaval — ônibus que transportaram cerca de 50 mil pessoas de estacionamentos até os circuitos. Este ano, foram 69 coletivos em cinco linhas especiais e isso deve aumentar, conforme o prefeito.

Além disso, as duas vilas gastronômicas que funcionaram no Farol da Barra e em Ondina, também devem ganhar novos pontos, segundo a secretária municipal da Ordem Pública, Rosemma Maluf. Há, pelo menos, mais dois novos locais que devem receber os espaços: as avenidas Adhemar de Barros e Centenário. “É uma ideia interessante porque as pessoas já sabem para onde se dirigir, principalmente com food trucks e carros similares de alimentação”, disse Rosemma. 

Turista de São Luís (MA), a técnica em Enfermagem Cynthia Rossana, 35 anos, aprovou a vila gourmet. “Achamos bem organizada essa questão. Comemos muita coisa próximo aos circuitos”, contou a visitante, que elogiou ainda a quantidade de banheiros e locais para comprar bebidas.






Carnaval do Pelourinho vai homenagear a Tropicália
O Carnaval do Pelourinho, organizado pelo governo do estado, já tem tema definido para 2017: os 50 anos da Tropicália. “A Tropicália plugou o Brasil na contemporaneidade e trouxe visões de mundo para o Brasil”, explicou o secretário estadual da Cultura, Jorge Portugal. Ele contou que já começou a conversar com alguns artistas para articular de que maneira o tema pode ser abordado no Carnaval. “Caetano (Veloso) e (Gilberto) Gil já estão convidados. Já falei com Gil e ele adorou a ideia. Ainda não falei com Caetano, com Tom Zé, mas hoje desde cedo já estou trocando ideias com Capinam de como fazer da melhor maneira”, comentou, ontem. Portugal ainda convidou a prefeitura a “abraçar” o tema. 

O prefeito ACM Neto, no entanto, não comentou a sugestão.  Afirmou que, para que a decisão seja tomada, é preciso debatê-la. “Quem define o tema é a sociedade, a população, que tem inclusive representação no Conselho do Carnaval para fazer isso”.

O presidente do Comcar, Pedro Costa, disse que levará esta e outras sugestões para discussão. “Estamos reunindo o conselho, semana que vem, para trabalhar um evento de avaliação do Carnaval 2016 e traçar os planos para 2017”.